Adeus querido mestre Francisco Costa

Um dos últimos trabalhos publicados de nosso querido Professor Francisco Costa. Um grande mestre, poeta e ativista político que não mediu esforços em toda a sua generosidade, nesta luta por vezes tão inglória em defesa da emancipação de nosso povo brasileiro.

Certamente, Professor Francisco deixa órfãos milhares de leitores que, como este que escreve, beberam na fonte de sua sabedoria, de sua verve saborosa, de sua poesia e do seu pensamento antenado, crítico e consistente.

Ainda que este momento nos inspire a busca de paz e serenidade, fica difícil não lembrar da citação de outro grande mestre, Eduardo Galeano:

Nós perdemos mais um brilhante professor, amigo e companheiro “y en cambio, estos hijos de puta, en contra partida, esos que se dedican a atormentar a la humanidad, viven vidas larguísimas, esos no se mueren nunca…” 

Aldo Della Monica

“DIALÉTICA DO SÓ

Pouco para mim em mim,
Reinvento-me inusitado

Professor Francisco Costa + 02/07/2018

E novo, diferente, sempre.

Se ontem chorei
Amanhã sorrirei,
Escondendo as lágrimas
Expondo-me todo dentes
Na consecução do sorriso.

Sou assim, metamorfose,
Mudança, coisa nova
Em permanente
Transmutação.

Se me morro sozinho,
Anônimo, quase indigente,
Ressurjo coletivo, muitos
Na dor de toda a gente,
Incomodando soldados,
A realeza, o presidente.

Eu não me queria assim,
Muitos e multifacetado,
Anciã criança envelhecida,
Adolescendo curiosidades

E amadurecendo sonhos.

Há em mim a impertinência
Do que não se cabe só, e
Por isso a minha comunhão
Com o que em mim sobra
E a mendicância explícita
Do que em mim falta.

Volátil e viscoso, etéreo,
Defino-me e definho-me
Entre vermes e borboletas.

Entre os versos que não quis
E a realidade que não quero
Anuncio-me impotência
Parasitando a espera.

Conforta-me saber espelho,
Reflexo, imagem, duplo
Do que em mim não está,
Mas que, como eu, mudará.

Se hoje digo o povo dorme
É porque amanhã acordará.

Francisco Costa
Rio, 27/06/2018″

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2 comentários em “Adeus querido mestre Francisco Costa

  1. Como ele nos fará falta! Cada dia recebíamos uma aula de civismo, cultura e conhecimento. Outros surgirão para nos orientar e ajuda nessa outra tantas vexes quixotesca, mas o lugar que ele ocupou ficará vago para sempre.

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  2. Palavras do Francisco Costa a mim, referinfo-se a este poema, logo que postou no face.

    “Usando-me como modelo, dei uma aula de dialética marxista”

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